A síndrome da eterna insatisfação capilar



Eu já escrevi tantos posts no Garupa com mudanças bruscas de cabelo que já nem tenho mais a cara de pau de dizer que foi uma mudança radical quando mudo as madeixas, já que todas as mudanças capilares que tenho feito são no mínimo improváveis. 

Tudo começa com uma imagem de referência, estou lá passeando pelo Pinterest e de repente uma foto de alguém com algum cabelo me chama a atenção. Depois, dia após dia, as fotos começam a pipocar em todo canto, alguém passa por mim na rua e quando vejo já estou criando uma pasta com inspirações de cabelos completamente diferentes do que tenho.

É sempre assim, se estou com o cabelo curtíssimo quero ele comprido, reclamo de não poder fazer penteados, reclamo de não poder prender, de não ter comprimento. Se estou com ele comprido, acho que não combina comigo, reclamo que não tem personalidade, que gasta muita tinta, dá trabalho. Se ele está loiro, eu quero azul. Se está azul, quero ruivo. Quando consigo o ruivo, volto a achar meu natural interessante. É uma eterna batalha de insatisfação com o que tenho e vontade de ter o que não posso.

Depois, quando finalmente resolvo mudar, experimento um dos piores sentimentos: arrependimento. Fico olhando minhas fotos e sofrendo baixinho com saudade do que tinha. “Até que esse tom realçava os olhos”, “Essa franja fazia sentido aqui”, “Eu jamais vou conseguir fazer esse penteado de novo”. Uma verdadeira tortura psicológica completamente desnecessária e até meio fútil.

Quem nunca se arrependeu de um corte de cabelo que atire a primeira pedra, mas no instante em que eu escrevo esse texto eu percebo que as mudanças não são o problema, mas a síndrome da eterna insatisfação capilar é. Talvez, só talvez, o segredo esteja em aceitar o reflexo no espelho e viver o agora. Sem saudade do passado e sem ansiedade pelo futuro.

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