Preciso falar sobre medo e ansiedade






Eu não costumo falar muito sobre o que eu sinto aqui no Garupa, mas acho que a gente já se conhece há tempo o bastante pra abrir o jogo e falar das coisas do coração.

Setembro é o mês da prevenção do suicídio e eu não me lembro de ter lido tantos posts sobre ansiedade antes. O que talvez vocês não saibam é que eu sou uma pessoa que sofre com ansiedade e que isso muitas vezes me impede de fazer uma série de coisas que eu quero fazer.

Eu sempre fui assim, mas agora com o trabalho, o tcc da faculdade e morar bem longe de tudo tem feito com que cada pedrinha pequena no meu caminho se torne uma grande montanha difícil de escalar.



Dentro da minha cabeça, flashes de tudo que eu tenho que fazer passam incansavelmente, misturados, emaranhados, bagunçados e fora de ordem. Por mais que eu tente organizá-los, é tão cansativo pensar em tudo o tempo todo que eu não tenho disposição pra executar. O resultado é uma briga interior tremenda pra por em prática até as mais simples tarefas e o que antes era prazeroso, agora se torna obrigação ou um recorrente “deixa pra amanhã”.

Isso não significa que eu não me divirta, em alguns momentos eu sinto como é viver apenas o agora e curto cada segundinho de ter a cabeça leve e livre dos excessos de futuro.

Mas eu ainda não sei como é viver a vida sem me basear em infinitos “e se”, eu ainda me pego travada ao pensar em enfrentar meus medos, eu ainda me pego fazendo suposições pessimistas em cenários quase apocalípticos.



Pensando aqui, talvez minha paixão pelo passado seja a certeza de que ele já aconteceu e de que nada pode me surpreender, no passado não existe “e se” e isso me conforta. Talvez essa minha admiração pelo ontem seja só uma fuga dessa minha sede do amanhã. Faz sentido?

O fato é que depois dessa avalanche de posts sobre ansiedade, eu sei que esse aperto no peito e esse nó na garganta não são só meus, eu sei que isso não é frescura, que não é normal e nem uma fase. Hoje, eu sei que eu não tô sozinha e eu queria dizer que você não tá sozinha também. Eu te entendo e eu tô aqui. Talvez eu não saiba o que dizer pra acalmar seu coração, mas eu sei o quanto é importante quando alguém te escuta e eu tô aqui pra escutar você.

Um comentário:

  1. Ai Letícia que "alivio", achava que essa coisa toda que eu tenho de ter medo de começar qualquer coisa nova, de não conseguir "sair do lugar" fosse por pura acomodação. Desde a adolescência que eu sofro de ansiedade e nunca pensei que talvez tudo isso pudesse estar relacionado a ansiedade. Amei seu post! Me encontrei nas suas palavras ;)

    Beijos

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