Minha filha não será uma princesa da Disney




Assim como muitas pessoas da minha geração, fui criado em frente da televisão e influenciado por diversos filmes Disney. Nasci no começo dos anos noventa e acompanhei de perto os lançamentos de "Bernardo e Bianca", "A bela e a fera", "Aladdin", "Rei Leão", "Pocahontas", "O Corcunda de Notre Dame" e por aí vai.

Posso dizer que muito do meu caráter e valores foram constituídos dessa época. Com "Bernardo e Bianca" aticei um lado aventureiro, com "A bela e a fera" e "Corcunda de Notre Dame" tive noções de preconceito e julgamento, com os clássicos tive a construção da importância do cavalheirismo e muito mais. Não nego que são ótimas influências que carrego até hoje.

Mas e as meninas?

A grande maioria dos desenhistas e responsáveis pela Disney eram homens, grande parte criado dentro de uma cultura patriarcal onde o homem era o provedor dos recursos e a mulher responsável pela família. Portanto é inimaginável para a Disney daquela época criar um filme como "Valente" da Pixar onde a protagonista quebra todo esse sistema de natureza machista.

O produto disso não era tão positivo assim para as mulheres. "Branca de Neve", "Cinderela", "A Bela adormecida" entre outros clássicos onde as protagonistas eram salvas magicamente por príncipes encantados e como num passe de mágica se apaixonavam e viviam felizes para sempre.

Mas os defensores da Disney dirão: "Mas hoje não é mais assim".

Infelizmente ainda é sim, só que de maneira mais disfarçada. Em a "Princesa e o sapo" o príncipe está lá para salvar a protagonista, em "Bolt" o cão salva sua dona e resolve os problemas, "Detona Ralph" o vilão salva a protagonista, "Frozen" as protagonistas são fortes, mas ainda sim ingênuas a ponto de cair nesses velhos ensinamentos...

A real é que os filmes da Disney não são influências negativas, e claro, as meninas e mulheres não devem deixar de ver, a questão é que não servem para passar valores fortes para a personalidade feminina. Cada vez mais as mulheres precisam de estímulos para incentivá-las a ir além do que as antigas gerações femininas foram. Elas precisam ter como ídolo personagens mais fortes e libertadores, com mais características de independência e inteligência, e não uma submissão masculina com aquele alento de que será salva a qualquer momento.

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