Sobre a Cacau



Quem acompanha a página do blog no Facebook deve ter visto um cãozinho amarelo que o Celso insiste em chamar de ruivo que fugiu de casa e se perdeu, ela é a Cacau e hoje quase uma semana depois que ela desapareceu eu resolvi voltar com o Garupa, mas antes eu queria contar sobre ela.

A Cacau é o viralata mais engraçado que eu conheci, ela sempre nos recebia com sorrisos, mostrava os dentes, fazia barulhos estranhos. Nasceu aqui em casa, só tinha cabeça, chorava o tempo todo, achavamos que isso mudaria com o tempo, bobagem.

Como boa viralata ela sempre foi muito fiel, tinha olhos acolhedores, transbordava amor. Desastrada que só, nunca aceitou muito bem o tamanho que ganhara com o tempo e vira e mexe tentava se enfiar em algum lugar que não lhe cabia nem as patas. Minha irmã, maior amor da vida desse cão dizia que o pêlo que crescia desigual pelas costas era na verdade um moicano muito estiloso (e fofinho).

Fazia festa por pouca coisa, cafuné, maçã, bom dia, nunca se importou muito com os gatos da vizinha e não importava o quão grande ela estava, ela insistia em dormir deitada na Luma.

 As duas faziam farra as quatro da manhã, mas as cinco em ponto Cacau aguardava o primeiro integrante da casa sair para o trabalho. Também era ótima recepcionista, cão de guarda, porteira, ursinho de pelúcia, companhia, amiga, cão...

A Cacau me ensinou a não levar tudo muito a sério, mesmo quando eu atrasada tinha que correr atrás dela pela casa inteira, a Cacau me ensinou que qualquer bronca é inválida depois que um cachorro aprende a 'sorrir' (sim, a Cacau sorria, e não, ela não tava brava). Ela me ensinou a defender quem eu amo acima de todas as coisas e ela amou incondicionalmente  cada um de nós.

Sinto falta do rabo espanador de pó, sinto falta dela sentada com focinho de sono no portão, sinto falta de quando ela me esperava chegar da faculdade quase que com uma placa pedindo cafunés, eu só tive tempo de lhe dar um sorvete pra cachorro (dois, pq ela comeu o da Luma) e eu só tive tempo de descobrir que ela abria gavetas pra roubar bolinhas uma vez.

Eu não sei onde ela está, eu não sei como ela está, sinto meu coração gelar sempre que ouço um latido, sempre que vejo um focinho, sempre que penso nela. Nos últimos dias, a gente tem recebido tanta mensagem, tanta ajuda, tanta gente indo procurar, tanta gente dando apoio, faz com que a gente tenha uma pontinha de esperança não só em reencontrar aquele saquinhos de pelos, mas no mundo, sabem? Tem gente boa no mundo e elas estão com a gente.Tudo que eu sei é eu não vou desistir dela, porque eu sei que ela jamais desistiria de mim.

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