Os Mutantes

A história da banda é uma aula sobre a música brasileira e a Tropicália, não tem como falar de Mutantes sem antes falar de Gil, Caetano e principalmente do Brasil.




O ano é 1966, Arnaldo e seu irmão Sérgio Baptista encontram a ruivinha Rita Lee e formam o trio que mudaria a história da música brasileira para sempre. Nesse mesmo ano, os jovens são convidados a participar do programa do Ronnie Von ainda na Tv Record, lá o apresentador sugere que o grupo passe a ser chamado “Os Mutantes”.

                                

Em 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira, também da Tv Record, Gilberto Gil chamou a banda para acompanhá-lo com “Domingo no Parque”, a música levou o segundo lugar da noite.
Os Mutantes uniam a paixão por Beatles com o jeitinho brasileiro, abusavam dos efeitos sonoros, das experimentações e misturavam coisas completamente improváveis: rock psicodélico com a música e cultura do nosso país.

Não demorou muito para caírem no gosto de Caetano, Tom Zé e Gil, e se juntaram ao movimento tropicalista, gravando em 1968 “Tropicália: Panis et Circenses”, disco-manifesto do tropicalismo que recebeu como participação do grupo a música que dá nome ao título do álbum.



Ainda em 1968, lançam o primeiro disco da banda com o título “Os Mutantes”. Caetano convida Rita, Arnaldo e Sérgio para subirem ao palco em “É proibido proibir” no III Festival Internacional da Canção (FIC), vaiados pelo uso da guitarra elétrica numa música “que deveria ser essencialmente brasileira”, a platéia estava de costas para a banda, vaias e mais vaias, Caetano faz então um longo discurso:

Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado!
São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa"
(o link do discurso completo no fim do post)

Em 1969 acontece o último show dos Mutantes com Gil e Caetano, durante a apresentação uma bandeira com os dizeres “Seja marginal, seja herói” do artista Hélio Oiticica é pendurada no palco, na imagem, um dos traficantes mais famosos da época, morto violentamente pela polícia. Durante o show, os militares prendem Gil e Caetano, que acabam sendo deportados.



Em 1970, lançam “Divina Comédia ou Ando meio desligado”, o disco se distanciava um pouco da Tropicália e caminhava cada vez mais em direção ao rock. No ano seguinte lançam “Jardim Elétrico” e Rita e Arnaldo se casam, protagonizando a tão famosa cena em que voltam da lua de mel e rasgam a certidão de casamento no palco do programa da Hebe.


Dois anos depois chega a vez de “Os mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets” lançando grandes sucessos como “Balada do Louco” e “Rua Augusta”. Rita Lee Jones deixa Os Mutantes, após se divorciar de Arnaldo Baptista e alega que foi expulsa do grupo por não ter tanto “talento” com instrumentos musicais como os irmãos.

Daí em diante a banda toma outro rumo e passa por diversas formações, mas fica gravada para sempre como a banda da Tropicália formada por dois irmãos e uma ruivinha que revolucionou o jeito de fazer música no Brasil.

Se você se interessou pelo assunto, separei alguns vídeos que são bem bacanas:

Apresentação de Domingo no Parque - 1967 com Gilberto Gil

Não deixa de dar uma olhada nesse post aqui sobre o musical Rita Lee Mora ao Lado, que conta não só sobre Os Mutantes, mas toda a trajetória da Rainha do Rock Nacional. Ah! A peça prorrogou a temporada e fica em cartaz em São Paulo até 23 de Novembro.



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